sábado, 26 de novembro de 2011

Histórias em Dó Maior*


Como nas duas ultimas semanas publiquei artigos sobre integrantes da Banda da Guarda Territorial, atual Policia Militar, para completar nosso cenário, hoje trago recortes de jornais e livros que retratam parte da história musical acreana ao longo dos tempos.

“Do acampamento boliviano alguém grita em português: ‘Abílio faz o favor de tocar tua flauta’. E Abílio ‘le obsequia con La Siciliana, ejecutada com maestria y sentimiento musical y excuchada por ambos os contendores con silencioso recogimiento’. Logo mais, a melodia sentimental de Abílio é substituída pela musica sibilante das armas.” (Assim Leandro Tocantins descreveu um dos mais notórios episódios ocorridos durante o combate de Porto Acre, em janeiro de 1903, através do qual se evidencia que éramos inimigos, pero no mucho; in Formação Histórica do Acre, 1979:157)

“CIUME E... BALA
Na Casa Floquet, á Avenida General Olympio da Silveira, costumam reunir-se á noite alguns rapazes a as poucas mundanas desta Villa em palestras mais ou menos intimas, que degeneram sempre em danças extravagantes e suarentas, ao som de um grammophone cabuloso e impertinente.” (Noticia veiculada no jornal “O Rio Acre” de Rio Branco em 14/02/1909, pag. 4. Qualquer semelhança com a forma como, às vezes, os jornais locais tratam certas ocorrências das madrugadas no Calçadão da Gameleira, é mera coincidência.)

“NOS DOMINIOS DA ARTE DO SILENCIO
A nossa cidade pode ufanar-se do explendido cinematographo que possue. A empreza ‘EDEN’ teve razão quando deu ao seu sympathico centro de diversões a divisa ‘O MUNDO DEANTE DE NÓS’(...)
Para amanhã, domingo está annunciada a bellissima obra dramatica, extrahida da opera do mesmo nome, "A BOHEMIA", de Musset, cujo successo está affirmado.
O film é dividido em 4 apparatosos actos de grande espectaculo, trabalhados pelos artistas da "Comedia Franceza", de Paris.
A orchestra "Voluntarios da Lyra", caprichoso conjunto musical de pau e corda da qual fazem parte os divertidos rapagões Urias Raulino, José Marçal, Nito Moreira, Manoel Ferreira, F.Coringa e João Noleto, tem emprestado ás sessões do "EDEN" apreciavel realce (...)” (Matéria do jornal “A Capital” de Rio Branco, publicada em 06/08/1921, pág. 2, no Cine-Eden que foi mais tarde transformado no nosso Cine-teatro Recreio, onde está rolando nesta semana o Festival Pachamama)

“SOCIEDADE SPORTIVA E DRAMATICA TARAUACAENSE.
“ALMA ACREANA”.

Está sendo ansiosamente esperada pelo publico desta cidade a representação dessa interessante burlêta de costumes regionaes, em 3 actos, da autoria do nosso jovem e talentoso collaborador Dr. José Potyguara da Frota da Silva, qual segundo estamos informados, subirá á luz da ribalta, em premiére, no proximo dia 8 de dezembro (...)
O enredo de “Alma Acreana”, cujo desempenho occupa 25 personagens, desenvolve-se em um dos nossos seringaes, na época actual, e está entremeado com uma linda e adequada partitura de 19 números de musicas inéditas do festejado maestro Mozart Donizetti (...)” (Matéria do jornal “A Reforma” publicado na Cidade Seabra, atual Tarauacá em 30/11/1930, através da qual fiquei sabendo dessa peça legitimamente acreana que desapareceu no tempo e que eu adoraria ver remontada)


“ESTREOU O JAZZ-ORQUESTRA DE ZYD-9
Estreou na noite do dia 27do fluente, com agrado geral, o Jazz-orquestra de ZYD-9, recém chegado de Belém, onde tocava na “Boite Garé” daquela capital, constituindo, provisóriamente, um conjunto com os musicos Raimundo Estácio Neves, Saxofone; Sandoval Teixeira de Araujo, Clarinete; Elias Ribeiro Alves, Banjo, e Mario do Carmo Pires, bateria, ressentindo-se ainda o magnifico conjunto da falta do piston-trompete e do seu pianista, os quais ainda estão viajando com destino a essa cidade.
São todos eles solistas consumados e com um largo e atualizado repertório que irá melhorar, por certo, a programação da Rádio Difusora Acreana, executando os ultimos sucessos musicais em boleros, foxs, sambas, chorinhos, mambos, etc, etc.
Vem assim preencher uma lacuna que se fazia sentir em nossa Rádio Emissora, e a sua estréia do dia 27, sob o comando do locutor Alfredo Mubarac e dirigida pelo Prof. Raimundo Neves constitui-se um verdadeiro sucesso.” (Matéria do jornal “O Acre” de Rio Branco, publicada em 07/10/1951, pág: 3, e que nos faz lembrar o tempo em que a Rádio Difusora estava na vanguarda das artes no Acre.)

“O ESPIRITO DA COISA - DEU NO QUE DEU
A fórmula é simples: coloque num lugar fechado e calorento mais de mil pessoas, sirva bastante bebida alcóolica e coloque prêmios em dinheiro para atiçar a competição. Serve para as lutas de boxe e para a finalíssima do Famp. Deu no que deu. (...)
Mas valeu o trabalho musical de Damião, o espetáculo de Pia e Felipe, a coragem de Francis Mary denunciando a repressão e o esforço dos demais participantes. Agora, rumo ao festival de praia do Amapá, onde quem esquentar a cabeça leva um caldo.” (Trecho da Coluna do Toinho Alves no jornal “O Rio Branco”, publicada em 13/07/1983, quando ainda havia FAMPs e Festivais no Amapá... Bons tempos, apesar de todos os pesares da época.)


* Material extraído, dentre muitas outras notícias de época, da revista “Registro Musical”; Rio Branco, FGB-MinC, 1998; Silvio Margarido, Jorge Nazaré, Danilo de S’Acre e Marcos Vinicius Neves;

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