“O mestre disse: A vida conduz o homem responsável por caminhos tortuosos e mutáveis. Muitas vezes o curso é bloqueado, em outras segue desimpedido. Ora pensamentos sublimes vertem-se livremente em palavras, ora o pesado fardo da sabedoria deve fechar-se no silêncio. Mas quando duas pessoas estão unidas no íntimo de seus corações, podem romper até mesmo a resistência do ferro e do bronze. E quando duas pessoas se compreendem plenamente no íntimo de seus corações, suas palavras tornam-se doces e fortes como a flagrância das orquídeas.”
(I Ching, o Livro das Mutações, Pág. 234)
Botija de Histórias
Ali mesmo, onde dizem que mora a cobra grande; onde o rio Acre faz a curva que deu nome à Volta da Empreza; onde, ainda resiste à voragem do tempo, nossa velha Gameleira... emergiu a fé dessa cidade.
Porque, vocês sabem...! Foi mesmo ali, no final do estirão, bem onde o rio faz a volta, que o povo de Rio Branco se reuniu e, em adjunto, construiu uma capela pra Nossa Senhora da Conceição, protetora da pequena Villa Rio Branco...
Bem que tentaram, depois, tira-la de lá... e trouxeram pra cá. Mas o povo veio buscar... de novo. Depois fizeram procissões em barcos e ela passou a ser proclamada como Padroeira de todos os acreanos e, por isso, foi chamada de Nossa Senhora do Acre. Depois surgiu num quadro de origem misteriosa, segurando um ramo de seringa e ficou conhecida como Nossa Senhora da Seringueira. Depois foi vista pelo espírito caboclo dessa gente singela e foi chamada de Rainha da Floresta. Depois teve erguida uma catedral à sua fé e foi chamada Nossa Senhora de Nazaré...
É!!! Não tem jeito mesmo...! Do mesmo jeito que o alto Acre (Xapuri, Epitaciolandia, Brasiléia) é de São Sebastião... Não importa o que façamos... Rio Branco foi e continuará sendo eternamente desse espírito feminino que protege, ilumina e rege este pequeno pedaço da grande floresta.
(trecho de texto inédito, escrito para o aniversário de Rio Branco em 2009)
Janela do tempo
Faz algum tempo me deparei com uma inusitada história que de imediato me provocou intenso fascínio. Desde então essa história se esconde dentro de mim, ressurgindo aqui e acolá. Pena que foi tão pouco o material que obtive até aqui que ainda não foi possível contar essa história decentemente. Mas um dia eu chego lá.
Entretanto, mesmo que com poucas informações, a história da misteriosa Mariana, a apóstata que liderou índios no rio Beni e fundou a cidade de Vila Bela (que está lá até hoje, na Bolívia) é, no mínimo, reveladora do fato que as mulheres não foram personagens secundários de nossa história como, às vezes, quer nos fazer crer a historiografia tradicional
“El dia 21 nos encaminamos em busca de los bárbaros que habitan or allí y a la media légua nos encontramos com uma mujer blanca apóstata (que renuncio a la religión Cristiana), llamada Mariana que gozava de gran reputación entre los bárbaros a los que dominaba, estaba acompañada por su padre y su marido y uma hermana. La rodeaban 8 hombres, 3 mujeres y quatro muchachos de ambos sexos, entre los que había uma preciosa rubia de ojos azules. A Mariana lê regale uma camisa, um traje y uma manta, así como um collar y aretes, a los hombres lês di cuchillos, anzuelos, machetes, collares, medallas, etc. Lê propuse a Mariana formar um pueblo em la confluencia del rio Beni com el Mamoré y convenieron gustosos.”
(Trecho de relato do engenheiro José Agustín Palácios que, em 1843, por ordens do Presidente Boliviano José Ballivian percorreu a região do rio Beni, próxima à atual fronteira sul do Acre. Citado por Hernan Messutti Ribera, em “La historia de los Llanos Bolivianos”)
Como se pode facilmente perceber este blog está em processo de lenta construção... Estou apanhando muito... como sempre... mas um dia eu aprendo... espero.
sábado, 6 de março de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Sobre o que (re)Começa
“O registro do que ocorre
e segue rumo ao passado
depende do movimento progressivo.
O conhecimento do que acontecerá
depende do movimento retroativo.”
(I Ching, o Livro das Mutações, pg. 205)
Miolo de Pote – ANO IV
(ou Introduzindo devagar)
Hoje, finalmente, estou retomando a Coluna Miolo de Pote, depois de alguns dias de descanso, pra mim e pros improváveis leitores desta coluna. E devo confessar, logo de saída, que, durante este mês e meio de “férias”, senti muita falta do exercício semanal de escrever histórias do Acre, da Amazônia e de mim (já que é impossível fazer diferente).
E acho que aqui cabe uma explicação: faz alguns anos comecei com esta história de escrever sobre história acreana em jornais e revistas. Já escrevi na revista “N´Ativa” (1995), no jornal “A Gazeta” (1999), na revista “Outras Palavras” (entre 1999 e 2002), no jornal “O Estado do Acre” (2000 a 2001), no “Página 20” (2002 a 2003), em diversas revistas temáticas (Galvez e a Republica do Acre, Povos do Acre, 50 anos da Imaculada Conceição, 90 anos da Casa Farhat, Negros do Acre, etc.) editadas por instituições diversas, e finalmente na coluna Miolo de Pote desde 2006.
Tenho feito isso - não apenas pra divulgar temas, aspectos e sentidos da história regional que considero importantes demais para ficarem relegados ao completo esquecimento – mas, principalmente, pra não esquecer quem sou. Afinal de contas, nos últimos anos tenho atuado como gestor público, mas faço questão de não deixar de ser arqueólogo e historiador. Ou seja, não escrevo porque quero, mas porque preciso. Como, aliás, muitos dos que escrevem, (acho que a maioria) diga-se de passagem...
Seção Janela do tempo
De volta ao início.
Pra quem não se lembra, ou não viu, voltemos ao princípio, ao primeiro trecho desta coluna, que começou a ser publicada aqui no já longínquo ano de 2006 e que ainda nos revela o que, em alguma medida, tenho tentado fazer aqui:
“Esta semana estamos inaugurando uma nova coluna semanal aqui no Página 20.(...) “miolo de pote” que em acreanês significa papo furado, conversa à toa. Ou seja, esta coluna não tem compromisso com formatos ou temas obrigatórios, em contraposição às colunas que assinei anteriormente e tinham características bem definidas previamente.
Por outro lado, é importante ressaltar que para os arqueólogos, a presença de urnas, potes ou cacos de cerâmica é sempre reveladora de um sítio pré-histórico. E o que para o leigo é apenas um pote vazio, para o arqueólogo é um manancial extraordinário de informações e significados.”
(Página 20, em 13 de novembro de 2006)
Pra quem não se lembra, ou não viu, voltemos ao princípio, ao primeiro trecho desta coluna, que começou a ser publicada aqui no já longínquo ano de 2006 e que ainda nos revela o que, em alguma medida, tenho tentado fazer aqui:
“Esta semana estamos inaugurando uma nova coluna semanal aqui no Página 20.(...) “miolo de pote” que em acreanês significa papo furado, conversa à toa. Ou seja, esta coluna não tem compromisso com formatos ou temas obrigatórios, em contraposição às colunas que assinei anteriormente e tinham características bem definidas previamente.
Por outro lado, é importante ressaltar que para os arqueólogos, a presença de urnas, potes ou cacos de cerâmica é sempre reveladora de um sítio pré-histórico. E o que para o leigo é apenas um pote vazio, para o arqueólogo é um manancial extraordinário de informações e significados.”
(Página 20, em 13 de novembro de 2006)
E ai...?
(ou propostas indecorosas)
No fim do ano passado tomei um susto ao constatar que já estava publicando essa coluna há três anos. Me deparei então com a necessidade de repensar o que tenho feito e renovar a coluna. Senão, nem eu aguento. Por isso, vamos a partir de hoje construir um novo layout para a página, mas que pode se modificar até chegar a um padrão mais bem definido e agradável de se escrever e de ler.
E seguindo algumas sugestões de amigos, a quem importunei perguntando o que fazer com esta coluna para oxigena-la, vamos testar diferentes seções fixas que irão se alternar ao longo do mês nesta coluna, assim desenhadas (apesar de continuar aceitando sugestões dos amigos)...
Janela do tempo – Reprodução de matérias diversas (de jornais, livros ou anedotário popular) de períodos distintos para colorir histórias e conectar sentidos.
Seção Inter ativa – Ou comumente chamada também de “Seção do leitor”, um espaço para que o improvável leitor da coluna possa fazer perguntas, tirar dúvidas sobre a história acreana ou sugerir temas para serem abordados na coluna (que tentarei atender na medida de minha limitada capacidade atual de pesquisa)
Desafio do mês: Ou “Quem se lembra?” – Perguntas sobre fotografias ou acontecimentos históricos para que o leitor exercite sua memória. Talvez eu consiga alguns livros para presentear aos que desvendarem os tais desafios (será?)
Memórias (Crônicas) de agora – Textos em forma de crônicas sobre o cotidiano, temas e questões em debate atualmente na imprensa e suas conexões com a história acreana.
Além, é claro, dos artigos temáticos sobre a história e a pré-história do Acre (seção Botija de Histórias), já que essa é a razão ultima de tentar dar continuidade a essa coluna que já é, pelo menos, minha mais longa e permanente experiência em publicações periódicas.Ah, sim! Ia me esquecendo de dizer que, por sugestão e insistência do Toinho, esta coluna estará, a partir de amanhã disponível também na Internet, através do blog Miolo de Pote, que poderá apenas reproduzir os textos semanais aqui publicados, ou, eventualmente, trazer coisas outras... a ver...
Seção Memórias (Crônicas) de agora
Sobre Livros e pessoas
Livros são coisas muito especiais. Às vezes se parecem com pessoas. Afinal de contas pessoas normalmente possuem características estranhas. É que nem àquelas pessoas que você conhece algum dia, por acaso, e nunca mais cruzam seu caminho, mesmo que a se queira muito, em contraposição àquelas outras que você conhece assim, também por acaso, mas sempre voltam a nos encontrar inesperadamente e de forma repetida, mesmo sem motivo aparente pra isso. Assim também são os livros. Há aqueles que te perseguem por toda a vida, e aqueles que passam uma única e breve vez, pra nunca mais.
Do mesmo jeito os livros têm uma coisa parecida com as mulheres. Quando trabalham juntas, menstruam juntas. E quando uma engravida, logo vem uma série de mulheres barrigudas, como se fossem mesmo, as mulheres, bicho de ruma.
Pois num é que, na semana passada, ganhei quase que de uma vez, dois livros muito distintos, e, entretanto, tão parecidos em sua importância que não posso me furtar à obrigação de fazer alguns comentários sobre estas preciosidades recém-chegadas entre nós.
(continua semana que vem...)
Seção Inter ativa
Duvidas, perguntas e sugestões para esta coluna podem ser encaminhas à área de comentários desta página no site do jornal página 20 (www.pagina20.uol.com.br), ou ao Blog Miolo de Pote (www.colunamiolodepote.blogspot.com), ou ainda ao meu e-mail (mvneves27@gmail.com), que tentarei atender na medida do possível.
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